Feeds:
Artigos
Comentários

Usina termelétrica de gás natural Euzébio Rocha, Cubatão-SP

Contrariamente ao que propõe o governo com o seu Programa Prioritário Termelétrico, o Cenário Sustentável concebe as usinas termelétricas utilizando o gás natural como combustível operando no regime de complementação térmica, quando as restrições hidrológicas reduzirem a capacidade de geração de energia elétrica a partir das usinas hidrelétricas.

O aumento da eficiência deverá ser sempre buscado, privilegiando os projetos de ciclo combinado. A localização destas usinas termelétricas também deverá atender aos critérios ambientais pré-estabelecidos, que privilegiem áreas distantes de grandes centros urbanos e onde não haja escassez hídrica.

A co-geração a partir do gás natural deverá ser incentivada, disseminando a produção de calor e de energia elétrica visando garantir um aumento de eficiência de forma descentralizada. A indústria nacional poderá ocupar um espaço, se capacitando na produção de equipamentos para a recuperação de calor e turbinas a gás de pequena potencia.

Para garantir desejável diversificação da utilização do gás natural, o seu uso como combustível automotivo deverá ser incentivado, principalmente substituindo o óleo diesel nas frotas de ônibus dos grandes centros urbanos.

Extraído de “Energia no Brasil: pra quê? Pra quem? – Crises e alternativas para um país sustentável” de Célio Bermann, pág. 134.

O parque de geração de energia elétrica no Brasil apresenta muitas usinas hidrelétricas com mais de 20 anos de atividade.

Estas usinas podem aumentar suas capacidades de produzir energia elétrica através de investimentos na troca de equipamentos, como por exemplo, a substituição do rotor do gerador, ou na modernização de componentes e sistemas.

Repotenciação de usinas hidrelétricas, mais energia disponível na rede

Estima-se que o Sistema Elétrico brasileiro pode alcançar um acréscimo de potencia resultante da reabilitação, reconstrução ou reparos nas usinas hidrelétricas existentes, e que operam a mais de 20 anos.

Este ganho de potencia pode ser obtido com custos bastante reduzidos em comparação com os custos da construção de novas usinas (em torno de 1/3, podendo chegar a 1/5  dos custos de um novo kW instalado). Se a repotenciação não interferir no nível do reservatório, não aumentando a cota de operação, serão novos MW’s sem impactos sociais e ambientais como os que ocorrem na construção de usinas novas.

Outra alternativa, que representa um ganho de potencia instalada sem a construção de novas usinas, está na complementação da modernização de algumas usinas hidrelétricas. É o caso, por exemplo, das usinas de Xingó e de Itaparica, ambas localizadas no Rio São Francisco.

A usina de Xingó foi projetada para abrigar 10 turbinas de 500MW, de forma a possuir uma capacidade instalada total de 5.000MW. Entretanto, atualmente apenas 6 turbinas estão instaladas. Trata-se, portanto, de 2.000MW que poderiam ser acrescentados se as outras 4 turbinas previstas fossem instaladas.

A usina de Itaparica também apresenta condições semelhantes. Projetada inicialmente com 10 turbinas de 250MW, ela conta atualmente com apenas 6 turbinas, perfazendo 1.500MW. Outros 1.000MW poderiam ser acrescentados se as demais turbinas fossem instaladas.

Embora extremamente dependente do regime hidrológico, esta alternativa poderia aumentar a disponibilidade energética, ao menos durante os períodos hidrológicos de grandes afluências1.

(1 A duplicação da usina de Tucuruí, no rio Tocantins, parece seguir este princípio. Entretanto, esta duplicação vai exigir um aumento da cota atual do reservatório, o que implicará em impactos ambientais  que estão sendo desconsiderados pela Eletronorte, além de exigir uma série de obras a montante da usina para regulação da vazão.)

Nota do blogueiro: as informações deste texto remetem a um período anterior ao ano de 2003, data de publicação da obra da qual extraí o texto acima.

===============================================================

Extraído de “Energia no Brasil: pra quê? Pra quem? – Crises e alternativas para um país sustentável” de Célio Bermann, pág. 134.

No Mundo

No cenário, o Brasil uma tímida posição no uso da energia eólica. O ranking é liderado por EUA e seguido por China e Alemanha. Em vista até das taxas de crescimento chinesas, aquele país é o que mais investe em formas alternativas, e limpas, de geração de energia elétrica. No ano de 2010 os investimentos chineses em energias alternativas foram três vezes maiores do que os dos EUA. Já na Dinamarca, a energia eólica responde por 20% da energia consumida no país.

China já ultrapassa em três vezes os EUA em investimentos

Veja o Ranking dos países por capacidade instalada:

País

Capacidade Instalada (MW)

Estados Unidos

35.000

China

26.000

Alemanha

25.800

Espanha

19.500

Portugal

3.500

BRASIL

835

 

O Futuro

Com pouca terra, muito mar e um clima inóspito, o Reino Unido é um dos países mais promissores para o próximo passo da energia eólica: levar as turbinas do alto das colinas para o mar. Em janeiro de 2010 o governo britânico anunciou que vai construir até 2020 uma capacidade total de 30 GW. Serão 9 megalotes no mar para construção de usinas de vento, que custarão um total de US$ 117 bilhões. Em 2012 já deverão começar a ser gerados 12 GW.

Turbina da MagLev, o futuro da geração de energia eólica

Segundo o estudo “Panorama Global da Energia Eólica – GWEO 2010”, elaborado pelo Conselho Mundial de Energia Eólica – GWEC, em conjunto com o Greenpeace, a energia eólica deverá atender 12% da demanda elétrica mundial em 2020, e poderá chegar a 22% desta demanda em 2030. Surfando nessa onda, até o Google investe no setor. O gigante da internet já fez investimentos na ordem de US$ 5 bilhões.

Há ainda os projetos de superturbinas eólicas como este bem ousado apresentado pela empresa MagLev:  turbina com levitação magnética.Com um design totalmente diferente dos tradicionais cata-ventos, a turbina MagLev utiliza levitação magnética para oferecer um desempenho muito superior em relação às turbinas tradicionais.

As pás verticais da turbina de vento são suspensas no ar acima da base do equipamento. Ao invés de se sustentarem e de girarem sobre rolamentos, essas pás ficam suspensas, sem contato com outras partes mecânicas – e, portanto, podem girar sem atrito, o que aumenta exponencialmente seu rendimento.

================================================================

Mais informações:

“Energia no Brasil: pra quê? Pra quem? – Crises e alternativas para um país sustentável” de Célio Bermann

Revista Superinteressante, edição especial “TECH”, set/2010

“A Força dos Ventos”, por Dinorah Ereno; revista Pesquisa FAPESP Online, ed. n° 177. Disponível em: http://is.gd/3OIGZl

Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, disponível em: http://is.gd/cUjiNn

“Super Turbina Eólica Magnética”, disponível em: http://is.gd/hSTAnB

“Os avanços no setor de energia renovável em 2010” podcasting do jornalista Sérgio Abranches na rádio CBN http://glo.bo/dGSfGX

Associação Brasileira de Energia Eólica http://www.abeeolica.org.br/

Outras fontes:

http://is.gd/xR4TO2

http://is.gd/1FIwG9

http://is.gd/HaS2NI

http://is.gd/Y5Xksy

Um mercado promissor

Como resultado das intensas pesquisas em geração de energia eólica um mercado bastante promissor e com taxas de crescimento que atingiram 53% no ano de 2007 é o de aerogeradores de pequeno porte. Falamos aqui não mais naquelas hélices gigantescas das grandes usinas e fazendas de ventos, mais sim, hélices (bem) menores com capacidade de geração de energia suficientes para atender pequenas propriedades, indústrias, vilarejos e algumas comunidades. Para cada necessidade, há um aerogerador customizado.

Aerogerador de pequeno porte, uma alternativa viável

A conta aqui é mais ou menos a seguinte:

Aerogeradores de:

Atendem a:
0,5 kW Uma residência baixo consumo
2 kW Uma residência de consumo médio
7 kW 7 residências de consumo médio
15 kW Pequena comunidade
50 kW Pequena Vila

100 kW

Pequenas indústrias, fazendas, vilarejos

 

Os custo de implantação de alguns desses geradores ficam por volta de R$ 17 mil para aerogeradores de 0,5 kW e R$ 30 mil para aerogeradores de 2kW.

É importante ressaltar que ainda que não supram em 100% a necessidade energia dos consumidores, a energia eólica acaba entrando como uma fonte complementar à energia hidrelétrica. Ainda que os investimentos pareçam, de certa forma, elevados a economia gerada com os custos de energia elétrica pagam os investimentos em prazos médios (poucos anos); haja vista que a vida útil dos aerogeradores são muito longas.

Os impactos

Não existe energia limpa. Em maior ou menor grau, todas as fontes de energia provocam danos ao meio-ambiente.

O debate internacional tem dado uma relevância maior ao problema das emissões dos gases de efeito estufa. Com relação às emissões de gases do efeito estufa, a energia eólica é limpa; porém quando da instalação de algumas usinas certos impactos ao meio ambiente podem ocorrer.

Aerogerador de Fernando de Noronha, PE

Na instalação de usinas no estado do Ceará houve problemas entre as empresas geradoras de energia e o Ministério Público local que apresentou queixas sobre a devastação de dunas, aterramento de lagoas, interferência em aquíferos, destruição de moradias e conflitos com comunidades de pescadores.

Outros fatores constatados traduzem-se num aumento do ruído nas proximidades e no considerável efeito visual e paisagístico proporcionado pelas grandes dimensões das torres e das hélices. Muitos europeus se incomodam em ver suas bucólicas paisagens tomadas por cata-ventos gigantes.

Outros fatores negativos, como interferências eletromagnéticas que podem perturbar os sistemas de telecomunicações, efeito de sombras em movimento e mortalidade de aves em zonas de migração causada pelas pás em movimento, podem ser muito atenuados ou inexistentes se for correta a planificação da sua localização. Estudos realizados na Alemanha, Holanda, Dinamarca e Reino Unido demonstraram que os aerogeradores não representam nenhum problema acrescido para a deslocação das aves quando devidamente localizados (fora das rotas de migração e das áreas preferenciais de nidificação, por exemplo).

(continua)

================================================================

Mais informações:

“Energia no Brasil: pra quê? Pra quem? – Crises e alternativas para um país sustentável” de Célio Bermann

“A Força dos Ventos”, por Dinorah Ereno; revista Pesquisa FAPESP Online, ed. n° 177. Disponível em: http://is.gd/3OIGZl

Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, disponível em: http://is.gd/cUjiNn

“Super Turbina Eólica Magnética”, disponível em: http://is.gd/hSTAnB

“Os avanços no setor de energia renovável em 2010” podcasting do jornalista Sérgio Abranches na rádio CBN http://glo.bo/dGSfGX

Associação Brasileira de Energia Eólica http://www.abeeolica.org.br/

Outras fontes:

http://is.gd/xR4TO2

http://is.gd/1FIwG9

http://is.gd/HaS2NI

http://is.gd/Y5Xksy

… Nos levem para um modelo de produção de energia elétrica menos dependente de da queima de combustíveis fósseis e dos grandes reservatórios de águas, com seus imensos impactos ambientais. O primeiro modelo em si, dispensa críticas no que tange à poluição e ao lançamento de CO2 na atmosfera. Já o segundo embora não contribua para a degradação da atmosfera, sempre quando da implantação de uma nova usina muita flora e fauna termina prejudicada.

O Brasil conta com espaço geográfico absolutamente perfeito, tendo qualquer cidade potencialmente com boas condições para a instalação de aerogeradores, usinas de energia eólica e “Wind farms” – as fazendas de ventos. Segundo o Atlas do potencial eólico brasileiro concebido em 2001 pelo Ministério de Minas e Energia e Eletrobrás, o país conta com um potencial de geração de energia a partir dos ventos da ordem de 143 gigawatts. Quantia essa, equivalente a 10 usinas de Itaipu operando.

Para fins de comparações futuras, a capacidade de geração de energia da Usina Binacional de Itaipu é de 14.000MW = 14GW.

Embora o potencial de geração de energia advinda dos ventos seja extremamente animador e mais do que suficiente para nossa atual capacidade de consumo, esta fonte de energia ocupa uma tímida, quase insignificante, posição na matriz energética: respondendo por somente 1% de nossas fontes. Embora seja daquelas informações que encha de “por quês” nossas cabeças, há explicação para o tão baixo aproveitamento dessa forma tão abundante de energia.

Mapa do potencial eólico no Brasil

A tecnologia que converte a energia mecânica dos ventos em energia elétrica era relativamente cara, inviabilizando quaisquer iniciativas em larga escala, ainda mais quando comparada aos custos com as energias hidrelétricas e de fontes fósseis (carvão natural). As razões eram evidentes:

  • Falta de legislação específica para investimentos em outras formas de energia renovável;
  • Toda tecnologia de construção e manutenção de componentes das usinas (pás giratórias, motores, transformadores, etc.) serem importados.

Como medida para evitar futuros apagões elétricos, por conta do famigerado apagão do ano 2001, o governo federal lançou em julho daquele ano o Programa Emergencial de Energia Eólica-Proeólica que obrigava ao país instalar uma capacidade de 1.050 MW até o ano de 2003. Em dezembro de 2001 a Aneel autorizou a construção de 20 usinas eólicas, com 1.773 MW, sendo duas em Arraial do Cabo (Rio de Janeiro) e as demais no Nordeste.

Desde então, grupos de pesquisas e de disseminação da tecnologia eólica surgiram no Brasil consolidando essa fonte de energia como alternativa necessária e sustentável ao cenário brasileiro.

Com a expansão do uso desta forma de energia, através de sucessivos leilões de concessões de autorização para energias renováveis promovidos pela ANEEL, atualmente ela se consolida como uma forma economicamente viável. O preço do MW gerado por energia eólica chegou à R$ 130,86, ficando mais barato que outras fontes energéticas limpas: bagaço de cana e PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas), ao custo de R$ 144,20 e R$ 141,93, respectivamente.

Regiões NE e Sul lideram projetos de novas usinas

Os estados que se consolidam como pontos de referencia na produção de energia eólica localizam-se majoritariamente na região do Nordeste do país, região atingida durante todo o ano pelos ventos alísios, com 38 parques eólicos instalados nos estados de Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Há também parques na região Sul, sendo o mais famoso localizado na cidade de Osório, dista 100 km de Porto Alegre, com três usinas e capacidade de geração de energia na ordem de 150 MW.

Já existem 399 projetos de centrais de eólicas cadastrados, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Desses, 312 estão no Nordeste. São 8,3 mil MW de um total de 10,5 mil MW inscritos. Há projetos na Bahia (53), Ceará (106), Pernambuco (1), Piauí (18), Rio Grande do Norte (133) e Sergipe (1). Fora do Nordeste há apenas 87 propostas para o Rio Grande do Sul.

(continua)

=============================================================

Fontes:

“Energia no Brasil: pra quê? Pra quem? – Crises e alternativas para um país sustentável” de Célio Bermann

“A Força dos Ventos”, por Dinorah Ereno; revista Pesquisa FAPESP Online, ed. n° 177. Disponível em: http://is.gd/3OIGZl

Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, disponível em: http://is.gd/cUjiNn

“Super Turbina Eólica Magnética”, disponível em: http://is.gd/hSTAnB

“Os avanços no setor de energia renovável em 2010” podcasting do jornalista Sérgio Abranches na rádio CBN http://glo.bo/dGSfGX

Associação Brasileira de Energia Eólica http://www.abeeolica.org.br/

Outras fontes:

http://is.gd/xR4TO2

http://is.gd/1FIwG9

http://is.gd/HaS2NI

http://is.gd/Y5Xksy

 

 

Linhas de Transmissão, perdas de 15%

O Sistema Elétrico brasileiro apresenta perdas técnicas da ordem de 15%. São perdas da ordem de 54milhões de MWh (ou 54 bilhões de quilovates-hora) que ocorrem desde a eletricidade que é gerada nas usinas, passando pelas linhas de transmissão e redes de distribuição até chegar na tomada do consumidor final.

Se o Brasil adotar um índice de perdas de 6%, considerado como padrão internacional, o sistema elétrico teria um acréscimo de disponibilidade de energia elétrica de 33 milhões de MWh, equivalente ao que produz durante um ano uma usina hidrelétrica de 6500 MW de potência instalada (ou mais da metade de Usina de Itaipu, que possui 12.600MW).

Os custos necessários para promover esta redução das perdas consistem basicamente no melhor isolamento nas linhas e na substituição de equipamentos antigos ou defeituosos, como os transformadores. Ações que não estão sendo feitas na frequência e na amplitude que a atual situação exige. Elas representam custos muito menores do que os investimentos para  a construção de novas usinas.

==============================================================

Extraído de “Energia no Brasil: pra quê? Pra quem? – Crises e alternativas para um país sustentável” de Célio Bermann, pág. 134.

Pra entender o progresso de um país, estado, cidade ou região, um bom termômetro é o setor da construção civil. Ainda que empregue mão-de-obra barata em grande escala, o setor movimenta a economia e é responsável por aproximadamente 20% do PIB aqui no Brasil. Estima-se que para cada 100 postos de trabalho criados na construção civil, há geração de 285 postos indiretos. Nada mal, certo?

2/3 do lixo urbano é Entulho

Errado. Quer dizer, em termos econômicos os números são fantásticos. Em termos ambientais, nem tanto.

As construções poluem o meio ambiente, e MUITO. Estima-se que dos resíduos sólidos urbanos produzidos 2/3, em massa, são de entulho. A produção de entulho por habitante chega a 0,55t por ano. E estamos falando em números médios obtidos para o país, obviamente para cada macro ou microrregião a ser estuda, variam-se as quantidades.

Ao se pesquisar sobre o porquê da quantidade de entulho, uma palavra sozinha responde à pergunta: desperdício. Você tem ideia do quanto de materiais utilizados em uma obra é desperdiçado? Segundo Tarcísio de Paula Pinto algo em torno de 20%!

Os motivos são os mais variados:

  • Má qualidade dos materiais utilizados nas obras ofertados ao mercado;
  • Falta de procedimentos e negligencia de supervisão, que provocam: perdas durante a estocagem dos materiais; problemas com o transporte de materiais pelos canteiros; carência de controle geométrico; ausência de prumo, nivelamento e planicidade na edificação; acréscimo no consumo de materiais para recuperação da geometria.

A reciclagem do entulho entra como solução para esses materiais que são inevitavelmente desperdiçados. A reciclagem transforma as montanhas desordenadas de material de construção, em pilhas de matéria-prima, servindo tanto para novas obras prediais, como para obras públicas.

 

Usina de Reciclagem de Entulho - bairro Estoril - BH

Vejamos o exemplo das usinas de reciclagem de entulho em Belo Horizonte. Atualmente existem três unidades situadas no bairro da Pampulha, no Estoril e às margens da BR-040, no km 531. As usinas são instaladas em terrenos públicos localizados estrategicamente, com área mínima de 6.000m², que são cercados e dotados de pontos de aspersão de água, localizados estrategicamente, de forma a reduzir o excesso de poeira. Para evitar a pressão sonora, as calhas dos equipamentos britadores são revestidas de borracha e as pás-carregadeiras dispõem de silenciadores.

A prefeitura, através de associações de carroceiros cadastrados e caminhões, fica responsável pela coleta dos entulhos juntos às obras de construção e os encaminhas às usinas de reciclagem. O entulho é composto por: cimento, concreto, madeira, argamassa, telhas e tijolos quebrados. Ao chegar nas usinas todo o entulho é espalhado por um trator no terreno da usina e as impurezas são recolhidas. As impurezas representam aproximadamente 10% do entulho e não servem aos propósitos da reciclagem, pois são: plásticos, papéis, papelão, metais e madeiras.

A partir da retirada das impurezas faz-se dois montes de resíduos: de um lado, os restos de telhas e tijolos; do outro, os restos de cimento, argamassa e concreto. Um triturador funciona sem parar, moendo esses materiais que vão constituir os dois tipos de matérias-primas.

As telhas e tijolos triturados servem como base e sub-base para obras públicas de pavimentação de ruas. Já os restos de cimento, argamassa e concreto que ficam no outro monte, depois de triturados, são peneirados até virarem uma areia fina, que é misturada com cimento novo. Depois, esse material se transforma em tijolos e blocos usados para construir escolas e outros prédios da prefeitura. Tais blocos não perdem em nada para blocos e tijolos convencionais, exceto pela matéria-prima ser o entulho.

Vejamos o saldo de todo esse sistema sustentável:

1)      A prefeitura tem uma significativa economia com a compra de materiais para obras públicas de pavimentação e construção de edifícios públicos – no ano de 2003 a prefeitura de BH economizou quase 900mil reais na compra de matéria-prima para a construção civil;

2)      Geralmente nas cidades há uma taxa para descarte de entulhos em aterros, em Belo Horizonte o descarte não implica em taxa extra;

3)      Os carroceiros, tradicionais na capital mineira, são parte do processo, recebem uma quantia negociada com a pessoa que deseja contratar seus serviços, são cadastrados pela prefeitura que assumiu os cuidados veterinários dos cavalos e emplacou carroças.

4)      Criou-se no carroceiro uma consciência ambiental e econômica de que aquilo que ele transportava para ser disposto em algum lugar vale dinheiro – o material é matéria-prima para a construção civil;

5)      Foi criado pela prefeitura de BH o Dia do Carroceiro – 17 de setembro – elevando a autoestima desse profissional, fazendo-o sentir-se útil ao processo.

 

Associação de Carroceiros, parte do processo

Belo Horizonte cria, assim, um modelo de gestão de resíduos sólidos que compreende o poder público (a quem cabe o ônus de regulamentar a coleta, o transporte e a destinação final dos resíduos) e os carroceiros, que foram incorporados ao processo e que são, digamos, os responsáveis por todo o entulho possível ter como destino as usinas de reciclagem.

Outros exemplos de usina de reciclagem de entulho já se espalham pelo Brasil. Mas o exemplo mineiro foi pioneiro, e merece todos os nossos aplausos.

 

Mais informações:

Página da Prefeitura de Belo Horizonte sobre as Usinas de Reciclagem de Entulhos; http://is.gd/EzC9YN

Reportagem de André Trigueiro no programa Cidades e Soluções da GloboNews sobre o assunto: http://youtu.be/o3ZolIrN17w

“Reciclagem de Entulho” disponível no livro “Mundo Sustentável”, livro do jornalista André Trigueiro, pág. 55

“Resíduos da Construção Civil e Reciclagem” disponível em: http://is.gd/cfFKye

“Importância do Setor da Construção Civil na Economia Brasileira” disponível em: http://is.gd/vU0trL